Vítor Murta constituído arguido. Empresas de organização de eventos do presidente do Boavista visadas na operação
Presidente da Boavista SAD e outras seis pessoas foram constituídas arguidas na investigação por alegados crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais. Seis pessoas coletivas, entre as quais a SAD do Grupo Desportivo da Gafanha e empresas do universo de Vítor Murta, também são arguidas no processo
18.12.2019 às 17h55
Sérgio Granadeiro
Partilhar
O presidente do Boavista, Vitor Murta, foi constituído arguido após as buscas realizadas, na manhã desta quarta-feira, à sede do Boavista, operação que envolveu 80 elementos da Polícia Judiciária e da Autoridade Tributária. Na origem da investigação estão presumíveis crimes de fraude fiscal e branqueamento de capital.
Além do dirigente que sucedeu a João Loureiro na liderança do clube do Bessa, foram constituídos outros 12 arguidos - mais seis individuais e seis coletivos -, segundo avançou ao Expresso fonte da PJ do Porto. Fora da investigação estão a SAD do Boavista e o seu presidente Álvaro Braga Júnior.
Na investigação e buscas ainda em curso estão alegados crimes de fraude fiscal e de branqueamento, cometidos por empresas de organização de eventos de Vítor Murta, advogado de profissão. As empresas de Murta terão organizado eventos comerciais, não só do Boavista, mas com outras instâncias do futebol nacional, “entre as quais da Liga Portugal” de acordo com fonte da PJ.
Ao Expresso, a assessoria do Boavista refere que a constituição como arguido de Vítor Murta serve para melhor acompanhar e colaborar com todo o processo e assim se defender e ao clube. “Mas reiteramos que as buscas não visam nenhum quadro do Boavista. Nenhum dirigente ou quadro da instituição Boavista foi alvo de buscas domiciliárias por parte das autoridades“, afiança a mesma fonte.
Em comunicado, o Boavista avança que o “Boavista F. C. e a Boavista F. C., Futebol, SAD confirmam terem sido visitados pela Polícia Judiciária e pela Autoridade Tributária”, tendo sido feitas algumas buscas. “Muito embora nada tivesse a ver, directamente, com a Instituição Boavista, mas com empresa(s) que connosco têm ou tiveram acordos comerciais, toda a disponibilidade e colaboração foram dadas às Autoridades envolvidas”, adianta o clube.
Também em comunicado, a PJ já esclareceu que “foram levadas a cabo dez buscas domiciliárias e três buscas não domiciliárias (que incluíram dois escritórios de advogados, duas sociedades anónimas desportivas e dois cofres bancários)”, nos concelhos de Porto, Vila Nova de Gaia, Guimarães e Aveiro. O Grupo Desportivo da Gafanha, em Ílhavo, é uma das entidades que está a ser alvo de buscas, confirmou fonte do clube ao Expresso, que promete esclarecer o caso em comunicado o mais breve possível.
Os suspeitos envolvidos na investigação servir-se-iam de diferentes ferramentas, entre as quais a faturação falsa emitida por empresas nacionais e estrangeiras para a ocultação de proveitos.
Além de Vítor Murta, há já outros arguidos, adiantando fonte do clube que João Loureiro, presidente do Conselho Geral do Boavista, não é suspeito nem foi visado na operação.
Vítor Murta, presidente-adjunto durante cinco anos, foi eleito há um ano, em lista única, para o lugar deixado vago por João Loureiro, afastado do dirigismo desportivo em 2008 por coação na arbitragem, crime de que viria a ser absolvido, João Loureiro viu ainda a equipa despromovida às divisões não profissionais do futebol português, sendo recolocada na I Liga em 2014. João Loureiro justificou em dezembro de 2018 o adeus ao clube por uma questão de saúde e a necessidade de ter uma vida “mais relaxada”.