RB Leipzig 2-2 Benfica. E assim se falha uma OPA à dimensão europeia
O Benfica empatou em Leipzig (2-2), mas foi por aqui que o Benfica caiu redondo da Champions? Não, porque foi esperto, pragmático e quase sempre organizado, e somou um ponto na casa do favorito do Grupo. Portanto, a pergunta mais interessante é outra, precede esta e é simples: era preciso chegar até este ponto?
27.11.2019 às 23h02
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E então, ao quinto jogo na Liga dos Campeões, três derrotas e apenas uma vitória depois, o Benfica da época dois mil e dezanove, dois mil e vinte queria mostrar ainda ter dentro dele uma fagulha do fogo que o tornou famoso fora de Portugal: a tal dimensão europeia que só os campeões e os finalistas na Europa podem reclamar para eles.
Era importante que o Lyon não ganhasse ao Zenit (o que aconteceu, os russos venceram por 2-0), era imprescindível bater o RB Leipzig na Alemanha (o que não veio a acontecer, ficou 2-2), e então o Benfica não deu o passo necessário para manter o suspense até à ronda final (o que, se viesse a acontecer, seria à boa e velha maneira portuguesa).
Ora, foi por aqui que o Benfica caiu redondo da Champions? Não, porque nem jogou malzinho; digamos que foi esperto, pragmático e quase sempre organizado e fechado, defendendo o quanto podia e contra-atacando quando podia. Empatou na casa do favorito e isso não é vergonha alguma.
Portanto, a pergunta mais interessante é outra, precede esta e é simples: era preciso chegar até este ponto? Era preciso estar obrigado a ganhar pela primeira vez na sua história uma equipa alemã, na Alemanha, na Liga dos Campeões, e ainda esperar por dois desaires consecutivos do Lyon?
Não, provavelmente o Benfica não teria de ter chegado ao limite do tudo ou nada, mais um alinhamento cósmico extra, se o treinador tivesse escolhido realmente os melhores desde o início nesta campanha. Não o fez, por motivos cujas justificações foram, por vezes, insondáveis.
Ora, desta feita, em Leipzig, não houve um médio inexperiente, que perdera o comboio do onze na época passada e partido um dedo nesta pré-época; houve, sim, um médio que leva 14 golos marcados esta temporada, a contar com o de hoje: Pizzi aproveitou um contra-ataque rapidíssimo e ao primeiro toque, que envolveu Adel Taarabt e Vinicius, para fazer 1-0.
E, desta feita, também, não houve um defesa-direito esquerdino ou um lateral-direito sub-23 lançado indefeso a uma competição vertiginosa e intensa, que tende a triturar os menos aptos ou menos experimentados; houve André Almeida, que se aguentou. por ser rodado e por combinar bem com Pizzi, até ao momento em que deixou de aguentar, pois Bruno Lage pôs Caio Lucas e abriu-se uma avenida alemã naquele corredor em que nasceria o empate final, por Forsberg - o sueco já reduzira de penálti, minutos antes.
Os dois golos do RB Leipzig foram marcados bem dentro dos descontos, é verdade, mas na verdade os alemães há muito assediavam a baliza de Vlachodimos perante o Benfica que se fechou lá atrás, impotente perante a intensidade do adversário.
Do recuo estratégico passou-se ao recuo forçado, sem hipóteses de sair convenientemente em transições ofensivas desde o minuto em que Vinicius aproveitou um inusitado disparate alemão para fazer o 2-0 numa correria embalada (59’). Raul de Tomás, que substituiria o brasileiro, ainda tentou um chapéu notável (82’), mas nesse período já o poder do RB Leipzig assegurou-se que o Benfica não mais ousasse fazer de David.
E quando Golias fletiu os músculos, não houve fisgas que acudissem o Benfica, que abriu espaço nas costas dos seus laterais para que os cruzamentos e as infiltrações se sobrepusessem, uns aos outros, com o desfecho inevitável. Para tal, também contribuíram substituições tardias, homem por homem, aos 92' (Pizzi por Caio) e aos 97' (Cervi por Jota), nenhuma delas com resultados sequer razoáveis, porque nem uma ajudou a estancar uma hemorragia aparentemente incontrolável
Assim se falhou uma OPA à dimensão europeia.
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