“Se metermos três a marcar Ronaldo, quem marca os outros?”. Esta é a pertinente questão que o selecionador de Marrocos nos deixou
Como é cada vez mais comum, repetível e expectável, o selecionador de quem quer que jogue contra Portugal foi questionado sobre Cristiano Ronaldo. E, como tantos outros, Hervé Renard não soube bem o que dizer, para lá dos elogios. Lídia Paralta Gomes é a enviada especial da Tribuna Expresso ao Mundial 2018, na Rússia
19.06.2018 às 17h36
Igor Russak
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Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo e ainda mais Ronaldo. Muito se falou, e com razão, note-se, do jogo que o capitão de Portugal fez contra Espanha e, por isso, estranhamente, a primeira pergunta sobre CR7 na conferência de imprensa de Marrocos só surgiu aos 15 minutos de jogo.
A pergunta foi dirigida a Nabil Dirar, que na última temporada foi companheiro de equipa de Bernardo Silva no Mónaco e agora joga no campeonato turco. Dirar, com aquele ar de quem não vai dormir bem esta noite só de pensar que daqui a 24 horas terá de enfrentar o jogador do Real Madrid, suspirou.
"Vimos o jogo com Espanha e ele foi fantástico. Tens de respeitar, mas ele é um jogador como outro. Se olhares para o ataque de Portugal ainda tens o Bernardo e outros. Mas é certo que não podemos cometer erros, estamos a falar do Cristiano, se cometeres um erro ele vai marcar. Não podemos dar-lhe espaços".
Dirar disse o que tinha a dizer e quando os jornalistas já se preparavam para a seguinte pergunta, Hervé Renard pediu a palavra. "Também tenho de responder a esta. O que dizer sobre Ronaldo? Puff... Não sei se se pode dizer mais alguma coisa. Por muito que tu te prepares, ele vai sempre encontrar uma saída, ele vai sempre fazer a diferença. Ele é fantástico e sinceramente não sei se essa palavra é sequer suficiente", disse o selecionador de Marrocos, este francês que sabe mais de futebol africano a dormir que qualquer um de nós on speeds.
Aproveitando o gancho, outro jornalista fala-lhe de Messi e de como a marcação implacável que sofreu dos jogadores da Islândia resultou. E Renard deixou-nos com uma pergunta simples, mas pertinente. "Se colocarmos três jogadores a marcar o Ronaldo, como é que vamos marcar os outros? Já viram a qualidade que Portugal tem no ataque?"
És capaz de ter razão, Hervé. Talvez por isso durante a conferência de Marrocos de antevisão ao jogo de quarta-feira, no Estádio Luzhniki, em Moscovo, se tenha falado tanto em "temos de acreditar", do "apoio do povo marroquino", dos exemplos de "México, Japão, Islândia".
Eles sabem que precisam daquele bocadinho a mais para bater Ronaldo e Portugal.
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