Tribuna Expresso

Perfil

Uma cambada de malucos

Partilhar

MIGUEL A. LOPES

Primeiro, uma espécie de disclaimer: eu gosto muito de Silas. Gostei quando pegou no Belenenses (que então ainda não era só SAD) e colocou a equipa a jogar um futebol predominantemente ofensivo - porque uma coisa é jogar para ganhar, outra coisa bem diferente é jogar para não perder; gostei quando foi entrevistado pela minha colega Alexandra Simões de Abreu e admitiu, sem problema nenhum, algo que muitos nem admitiriam em privado: “Vivi numa barraca. A primeira vez que vi um chuveiro pensei que era um telefone, encostei ao ouvido e abri a água”; gostei quando sempre disse o que pensava nas conferências de imprensa, não se coibindo de criticar as exibições da equipa, mesmo ganhando, ou vice-versa - uma análise lúcida à produção em campo e não ao resultado, que falta a muito boa gente em Portugal; e, por fim, gostei de ouvi-lo quando chegou ao Sporting.

No relvado de Alvalade, na sexta-feira, ou na Academia de Alcochete, no domingo, Silas foi o que sempre costuma ser: confiante, sincero, desarmante. Ou, como o próprio disse: "Eu sou o mais maluco de todos".

Se Bruno Lage foi uma lufada de ar fresco quando assumiu o Benfica, Silas já é o mesmo no Sporting. Sim, só se irá estrear hoje em campo, mas convém ressalvar, para os mais distraídos, que exigir novidades - e resultados - apenas com dois treinos efetuados, isso sim, é que é coisa de malucos.

Como seriam, por exemplo, estas outras maluqueiras: insultar os árbitros todas as semanas; adeptos do mesmo clube à porrada na mesma bancada; um presidente a apertar o pescoço de um adepto; continuar a haver jogos às 21h30 da noite; uma Liga subitamente parada por 30 dias; ou um treinador ter de esperar uma década - dez anos - para poder ter o curso de quarto grau para treinar ao mais alto nível.

Afinal quem são os malucos?

O que se passou

Além dos destaques que seguem mais abaixo, João Vieira conquistou prata; Pichardo esteve quase no pódio; houve muita, muita chuva nos Mundiais de ciclismo; Hamilton ganhou na Rússia; e houve justiça para Naide Gomes.

Toda a verdade sobre a contratação de Silas

Bruno Vieira Amaral, ou melhor, 'Frederico Varandas' conta-nos - a nós e à Teresa - como se contrata um treinador em Portugal: "Muitas vezes são escolhidos assim ao calhas, por um maluco qualquer"

Lá em Casa Mando Eu crê que Uribe correu tanto porque ainda queria ir a tempo de ver os vestidos de Cristina Ferreira nos Globos de Ouro

Catarina Pereira viu a vitória do FC Porto em casa do Rio Ave e notou que Zé Luís levou um amarelo por existir, que ela viu como um alerta do árbitro: “oh Zé Luís, não estás a existir bem, pensa no que andas a fazer na vida, reflete, muda de prioridades, ainda vais a tempo de ser um excelente ser humano”

Um Azar do Kralj congratula-se pelo jogo responsável de Rúben Dias que mesmo nos momentos mais intensos evitou agarrar rivais pelo pescoço

Desde jogo frente ao V. Setúbal, Vasco Mendonça destaca ainda os 45 minutos competentes de Fejsa a cobrir e até a ajudar no ataque, tudo isto sem se perder uma única peça ou parafuso que fosse. Uma inspiração para a população sénior deste país

Nuno Pinto, o português que treinou estrelas da Fórmula 1: "Em talento puro, os melhores que treinei foram Verstappen, Leclerc e Ocon"

Se tenistas, golfistas e futebolistas têm treinadores, porque não pode um piloto ter? Foi o que pensou Nuno Pinto quando em 2009 se tornou driver coach. Daí para cá, o português teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos maiores talentos da atualidade e entre 2017 e 2018 conheceu por dentro o paddock da Fórmula 1, ao lado de Lance Stroll na Williams. À Tribuna Expresso, numa pausa antes de partir para o GP Rússia, em Sochi, explica porque não gostou assim tanto de estar na Fórmula 1, porque é que o trabalho nas fórmulas de iniciação é muito mais interessante, o que é o talento puro e como ele se consegue ver logo à primeira volta, como é trabalhar com Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, e o que é, afinal, ser um treinador de pilotos

Disse ao Salvador: “Ó presidente, não me chateie, diga mas é ao Jesus para me dar mais minutos, que vai vender-me por ainda mais dinheiro”

Orlando Sá, 31 anos, está a tirar o curso de treinador UEFA B, na Bélgica, mas confessa que mais depressa se vê como manager ou diretor desportivo. Formado no clube do coração, o SC Braga, chegou a jogar no FC Porto, mas foi fora de portas que fez a maior parte da carreira. Esteve em Inglaterra, país que adora e onde tem casa, no Chipre, na Polónia, em Israel e na China, além da Bélgica, onde ainda joga no Standard Liège. Nesta entrevista fala-nos do amadorismo do Chipre, de como passou a admirar os judeus, da reação de Sá Pinto à sua saída para a China, onde diz ter vivido um pequeno pesadelo pela falta de civismo dos chineses; e conta-nos histórias caricatas que metem carros, polícias, aeroportos, rock e pêlos de cão

Atrás da fama, a tática: como joga o Famalicão que lidera a Liga?

Com seis vitórias e um empate, o Famalicão é líder isolado da Liga NOS, já tendo ido a Alvalade e a Guimarães. O treinador João Pedro Sousa, ex-adjunto de Marco Silva, tem desenvolvido uma ideia de equipa grande, na qual Fábio Martins, Rúben Lameiras e companhia saem potenciados - e da qual não parece abdicar

Uri Valadão: "Quando ainda não era campeão mundial, tinha uma fome que me fazia ser obcecado. Depois, a mente tende a dar uma relaxada"

Uri Valadão foi o primeiro e, até agora, único brasileiro a vencer o título mundial de bodyboard depois de Guilherme Tâmega, o seis vezes campeão com quem nunca se importou de ser comparado. "Gostava, porque achava um elogio, sempre foi o meu ídolo", diz quem, aos 34 anos e 10 volvidos desde que foi o melhor do mundo, sente "a obsessão a voltar". Uri nasceu, literalmente, dentro de água, vendeu os prémios que ganhava em miúdo para ter dinheiro para viajar, admite que relaxou quando venceu o título e acha que talvez falte "um milionário que invista" no bodyboard

Zona mista

"Há momentos em que temos vergonha por factos ou atitudes de outros! Foi o que me aconteceu e o que aconteceu - estou certo - a todos os que, sendo do Benfica, presenciaram ou souberam da tão triste, quão grave, atitude de Luís Filipe Vieira, na AG de sexta feira à noite! Esse apelo aos argumentos físicos - próprios ou a mando - fazem-me lembrar as reuniões dos tempos de Vale Azevedo!"

- Rui Gomes da Silva, ex-vice presidente do Benfica, a criticar Luís Filipe Vieira num texto escrito num blogue benfiquista

O que aí vem

Segunda-feira, 30

Para quem gosta do nosso futebol, mesmo com todas as suas imperfeições (afinal, é ou não é isso o amor?), há o encerramento da 7ª jornada da Liga, com o Aves-Sporting, que marca a estreia de Silas (20h15, SportTV1). Para quem prefere a Premier League ou tem duas televisões em casa, às 20h há Manchester United-Arsenal.

Terça-feira, 1

Está de volta a Liga dos Campeões e logo com oito jogos. Destaque para o Atalanta-Shakhtar (de Luís Castro) (17h55), Juventus (de Ronaldo)-Bayer Leverkusen (20h), Lokomotiv-Atlético de Madrid (de João Félix) e City (de Bernando e Cancelo)-Dinamo Zagreb (20h) - todos transmitidos pela Eleven Sports.

Quarta-feira, 2

Antes de irmos ao futebol, o Mundial de râguebi: há Nova Zelândia-Canadá, às 22h10, na SportTV3 - lamentavelmente, em diferido. A Youth League joga-se às 12h, com o Zenit a receber o Benfica de Jorge Maciel (Eleven Sports). Às 14h, a seleção feminina de sub-19 inicia a qualificação para o Euro frente ao Azerbaijão (Canal 11). Às 15h, o FC Porto também entra em ação na Youth League, recebendo o Liepaja (Porto Canal). Às 20h, o Zenit recebe o Benfica, já para a Liga dos Campeões (TVI).

Quinta-feira, 3

Dia de (muitos jogos de) Liga Europa: destaque para Feyenoord-FC Porto, às 17h55 (SIC), Braga-Slovan Bratislava, às 17h55 (SportTV2), Sporting-Lask, às 20h (SportTV1), e Vitória-Eintracht, às 20h (SportTV2).

Sexta-feira, 4

A seleção feminina vai à Albânia defrontar a seleção local, em jogo de qualificação para o Europeu feminino, às 17h (Canal 11). Às 20h30, há Taça da Liga entre Chaves e Santa Clara (SportTV1). Às 21h50, novamente em diferido, há Mundial de râguebi entre África do Sul e Itália, na SportTV3.

Sábado, 5

Lamentavelmente, este fim de semana só há um jogo da Liga portuguesa - às 15h30, Aves-Tondela - , mas há outras coisas para ver: às 11h, Sporting-Feirense, para a Liga Revelação; às 11h, Académica-Benfica B, para a 2ª Liga (SportTV1); às 15h, Liverpool-Leicester, para a Premier League (SportTV2); às 18h, Paços-Marítimo, para a Taça da Liga (SportTV1); às 18h, Benfica-Aves, para a Liga Revelação (Canal 11); e às 20h30, Portimonense-Rio Ave, também para a Taça da Liga.

Domingo, 6

Às 11h, Sacavenense-Sporting em juniores, no Canal 11; às 14h, Roma (de Paulo Fonseca)-Cagliari (SportTV3); às 14h, City-Wolves (de NES e restante comunidade lusa) (SportTV2); às 15h, Valladolid-Atlético Madrid (Eleven Sports); às 19h45, Inter-Juventus (SportTV1).

Hoje deu-nos para isto

Phil Walter - EMPICS

Na mesma semana em que se voltou a falar de José Mourinho como possibilidade para o Sporting, vale a pena recuar a 2003/04, época em que o então treinador portista passou a persona non grata em Alvalade. Depois de um empate num clássico quentinho, o então presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt, apareceu na sala de imprensa para criticar o treinador adversário: "O Paulinho, o nosso roupeiro, queria trocar a camisola do Rui Jorge pela do Vítor Baía e o José Mourinho fez isto à camisola [mostra a camisola rasgada] e disse: 'Gostava que o Rui Jorge morresse em campo'".

E continuou: "Numa semana em que se falou tanto em profissionalismo, digo que, em relação ao sr. Pinto da Costa, para mim, é um alívio as coisas estarem como estão. Deixemo-nos de hipocrisias e louvores, num país que precisa de referências que não são, certamente, deste Papa".

Convém ressalvar que, não parecendo, isto aconteceu em 2004 e não em 2019.

Tenha uma boa semana, sem rasgar vestes, e acompanhe a atualidade desportiva na Tribuna Expresso. Ah, e siga-nos nas redes sociais, se faz favor: Twitter, Facebook e Instagram.

O dia em que José Eduardo Bettencourt acusou Mourinho de rasgar a camisola de Rui Jorge

Em 2003/04, o FC Porto foi jogar a Alvalade e o clássico, que acabou empatado, ficou marcado por um episódio polémico: "O Paulinho, o nosso roupeiro, queria trocar a camisola do Rui Jorge pela do Vítor Baía e o José Mourinho fez isto à camisola [mostra a camisola rasgada] e disse: 'Gostava que o Rui Jorge morresse em campo"