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As notícias do fim de Cristiano Ronaldo eram manifestamente exageradas

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Ronaldo e todos aqueles que o ajudam a ser Ronaldo. Estamos no Euro2020 e o capitão está mais que vivo

Ronaldo e todos aqueles que o ajudam a ser Ronaldo. Estamos no Euro2020 e o capitão está mais que vivo

Soccrates Images/Getty

Há um par de dias, numa terra oriental com nome de bife caro ou de futuro hall of famer da NBA, um avançado espanhol de 37 anos anunciava o fim de carreira. David Villa, Villa Maravilla, o asturiano de mosca no queixo, vai deixar os relvados - e tudo foi feito numa conferência de imprensa sem estardalhaço ou grande comoção internacional.

Talvez muitos de nós já nem sequer se lembrassem que Villa continuava a jogar, apesar de ele ter sido um dos avançados-fetiche do final da última década e início desta. Eu pelo menos gostava muito dele, da forma como ia buscar jogo, da sua mobilidade, dos remates mais ou menos impossíveis que invariavelmente encontravam as redes da baliza adversária. Gostava também que fosse um elemento assim para o neutro naquela coisa absolutamente chata e entediante (e a partir de certo ponto só maçante) que foi a guerra entre Barcelona e Real Madrid na seleção espanhola, apesar dele próprio ter jogado nos catalães. E, convém não esquecer, Villa ganhou quase tudo: Europeu e Mundial pela seleção, Champions e ligas em Espanha, uma das quais naquela época 2013/14, em que o Atlético Madrid faz uma ultrapassagem pela direita enquanto todos nós andávamos a discutir e a terminar com amizades por causa de Messi/Ronaldo ou Barcelona/Real Madrid.

Posto isto, porque é que a despedida de Villa não nos deteve mais que uns protocolares 10 minutos?

Porque em 2014 o espanhol optou por ir jogar para destinos mais exóticos, Austrália, Estados Unidos e por fim o Japão, onde continuou a marcar em barda, mas sem a nossa atenção porque, enfim, Austrália, Estados Unidos e Japão. As pernas já não dão o mesmo, talvez a cabeça também não e a pressão nesses futebóis é outra coisa, nessas latitudes não é uma questão de vida ou de morte, como tantas vezes é por cá.

Esta longa introdução serve apenas para fazer um paralelo: aposto aqui dinheirinho que no dia em que Cristiano Ronaldo se retirar não será numa anónima sala em Kobe, Japão. No dia em que Cristiano Ronaldo se retirar, os jornais vão abrir com a notícia, haverá lágrimas, gente falará do pré e pós Ronaldo, do que será agora que não há Ronaldo, o que fará Ronaldo agora que não terá de treinar todos os dias ou jogar a cada fim de semana. Será que vai engordar como tantos ex-futebolistas? Ou será que vai continuar a fazer aqueles banhos malucos a temperaturas negativas que, pelos vistos, previnem uma série de maleitas nos nossos músculos?

Essas perguntas, diga-se, pouco interessam. O que interessa para o paralelo é o seguinte: quando Cristiano Ronaldo não se sentir capaz de mais, vai retirar-se nos seus próprios termos, provavelmente ainda a jogar ao mais alto nível, numa equipa de topo, como capitão da Seleção Nacional.

Porque esta última semana mostrou-nos, uma vez mais, que as notícias do fim de Cristiano Ronaldo são sempre manifestamente exageradas.

É certo que Portugal tinha mais do que obrigação que ganhar à Lituânia e ao Luxemburgo para garantir desde já um lugar no Euro2020. É certo que o deveria fazer até com algum conforto. Mas nestas alturas, a pressão é grande, esteja o adversário no top 10 da FIFA ou nas catacumbas do ranking, na companhia de colossos como o Sudão ou Ruanda, que é o que se passa com o futebol da Lituânia por estes dias. E frente à Lituânia, Ronaldo marcou três vezes, dias depois de ser substituído pela segunda vez consecutiva por Maurizio Sarri na Juventus, factóide que deu origem a toda uma verve de especulação sobre o que afinal se passa com Ronaldo?

O capitão da Seleção diria, já depois do apuramento conquistado, que de facto não estava a 100%. E talvez isso se tenha notado mais na terra mal lavrada do Josy Barthel, na capital do Luxemburgo, num relvado que daria todo um episódio para o eng. Sousa Veloso - e onde não jogámos nada bem, convém não esconder, mas às vezes também é assim que se chega à felicidade.

Mas, mesmo assim, Cristiano marcou, um dos golos mais fáceis da sua carreira, com certeza (e já são 99 na Seleção), mas o que é que isso interessa quando é o golo que nos libertou a respiração, que nos fez suspirar de alívio, que nos leva mais uma vez a uma grande competição, onde sempre estivemos desde 2000?

Um dia não teremos Ronaldo. Mas ele é que vai ditar o seu fim. A nós resta-nos confiar nele e nos Bernardos, nos Brunos Fernandes e nos Pizzis, esses que, seja em sintéticos em Vilnius ou em batatais no Luxemburgo, também fazem dele uma espécie de andróide, um atleta com update.

O que se passou

Mesmo com boa parte dos titulares a descansar (porque sábado há final da Libertadores, mas já lá vamos), o Flamengo de Jorge Jesus bateu o Grémio por 1-0 e está agora a apenas dois pontos do título brasileiro, até porque o Palmeiras empatou. No final, houve direito até a uma conferência de Jesus onde se falou de mágoas e Camões.

Em Londres, Stefanos Tsitsipas, atual campeão do Estoril Open, bateu Dominic Thiem nas ATP Finals, ele que há um ano havia sido campeão do Masters da NextGen. Vem aí finalmente uma nova era no ténis?

Na Fórmula 1, o GP Brasil deu-nos uma das corridas mais acidentadas (e emocionantes) do ano. Os dois Ferrari bateram (um contra o outro, note-se), Lewis Hamilton tirou a Alexander Albon o seu primeiro pódio e acabou penalizado e, consequência, Pierre Gasly e o espanhol Carlos Sainz conseguiram os primeiros pódios da carreira. Tudo isto numa corrida em que o quase sempre impulsivo Max Verstappen foi o mais ajuizado, o que melhor arriscou e o que deu mais espectáculo. Numa altura em que se fala da ida do GP Brasil para o Rio de Janeiro, um pedido: Interlagos, nunca mudes!

No judo, o Sporting venceu pela segunda vez consecutiva a Liga dos Campeões, na competição masculina.

E não no que se passou, mas sim no que se está a passar, arrancou esta segunda-feira o julgamento dos 44 arguidos do caso do ataque de Alcochete. O de maior perfil, sabemos todos, chama-se Bruno de Carvalho. Acompanhe tudo na Tribuna Expresso.

Bater em mortos é um dever

Bruno Vieira Amaral está à espera que Cristiano Ronaldo chegue aos 110 golos e explica como pouco importa que o caminho para a glória esteja atapetado de adversários moribundos ou sessões de futebol em trincheiras. Há momentos em que bater em mortos é um imperativo categórico.

O que ficou deste jogo com o Luxemburgo: Portugal não evoluiu nada

O analista Tiago Teixeira viu o Luxemburgo - Portugal e concluiu que a equipa de Fernando Santos tem de jogar mais, porque tem jogadores para o fazer

Ronaldo tirou um golo ao Diogo Jota e só não conseguiu fazer mais porque a equipa não lhe passou mais a bola. Eh eh eh (Lá Em Casa Mando Eu)

A cáustica Catarina Pereira, de Lá Em Casa Mando Eu, fez a análise aos jogadores de Portugal que derrotaram o Luxemburgo (2-0), rumo ao Euro2020

Portugal precisava mesmo de ganhar. E Diogo Faro precisava mesmo de tomar banho (o Luxemburgo - Portugal visto entre monges no Myanmar)

Esta é uma crónica diferente de Diogo Faro, que meio sem querer acabou por ver o Luxemburgo - Portugal horas depois de aterrar no Myanmar. Para lá chegar, teve de ser um bocadinho Danilo, mais um pedaço de Bernardo Silva e também um pouco de Pizzi, mas correu tudo bem. Ronaldo marcou, Portugal está no Euro2020 e ele para já vai continuar pelo Myanmar

“No Luxemburgo, trabalho oito horas e depois vou treinar de cabeça cheia. E o que um jogador quer nessa altura é dar cuecas e cabritos”

Vai na segunda época a jogar no Luxemburgo, sinónimo de estar há dois anos a levantar-se às 7h, trabalhar oito horas numa loja de ortopedia, ir treinar ao fim do dia e chegar tarde a casa. <strong>João Coimbra</strong>, antigo jogador do Benfica, Estoril ou Trofense, trabalha primeiro e joga depois, como "grande parte" dos jogadores no Luxemburgo, que defronta Portugal este domingo (14h, RTP1), onde o futebol é amador e o ordenado mínimo de 2017 euros dificulta que eles "queiram ser profissionais". Depois, há a exigência nos treinos ao fim de um dia de trabalho: "Querem é tocar na bola, dar duas cuecas, dois cabritos e divertirem-se"

“O prof. Alexandrino, o firme e hirto do Herman SIC, pôs as mãos nos nossos pés descalços e disse: ‘vou dar-vos técnica’. Só rir”

Carlos Fangueiro cresceu no bairro dos pescadores de Matosinhos, iniciou carreira no clueb do coração, o Leixões e saltou para as páginas das revistas quando foi pai de quadrigémeos. Esteve seis anos no V. Guimarães, mas pelo meio foi emprestado ao Maia e Gil Vicente. Depois de uma época na U. Leiria rumou a Inglaterra e depois para a Grécia, onde foi despejado de casa e chegou a comer só cereais por não ter dinheiro para mais. Passou pelo Vizela e Beira Mar, mas só conseguiu ser campeão no Vietname. Regressou ao seu Leixões onde praticamente arrumou as botas. Há oito anos a viver no Luxemburgo onde atualmente é o treinador da equipa líder da 1ª divisão, chegou a acartar sacos de 50kgs e foi camionista para garantir um futuro melhor para os filhos. Adora cinema, chegou a pintar quadros e segundo diz, tinha jeito. Porque no domingo há Luxemburgo - Portugal

Jankauskas: “O Benfica é uma religião, sim, para os benfiquistas. Era, é e será assim. Há crianças que nascem com a camisola do Benfica”

Chegou a Portugal para jogar no Benfica, ganhou uma Taça UEFA e uma Champions no FC Porto de Mourinho e ainda voltou ao nosso país (do qual tem muitas saudades) em 2008 para dar uma perninha no Belenenses. Jankauskas é o mais português dos lituanos, que um dia foi criticado por trocar a Luz pelo Dragão com uma declaração religiosa pelo meio, e conhece muito bem os dois lados que esta quinta-feira se vão defrontar no Estádio do Algarve (19h45, RTP1). E mesmo que ache altamente improvável a vitória da Lituânia, onde, diz-nos o próprio, o futebol foi completamente esquecido, deixa um alerta a Portugal: cuidado com as bolas paradas

Zona Mista

"Para abrir o jornal nacional: o capitão está bem. Aliás, não está bem, está muito bem"

Desculpem lá voltar ao mesmo assunto, mas é difícil não escolher este anúncio às tropas de Cristiano Ronaldo ainda antes do jogo com a Lituânia como a frase de semana. Porque, lá está, uma pessoa duvida, há clamor internacional sobre o estado físico do português e ele, mesmo que não a 100%, responde com quatro golos em dois jogos. Para abrir o jornal nacional: Cristiano continua a ser Cristiano

O que aí vem

Segunda-feira, 18

Qualificação Euro2020:
Espanha - Roménia (119h45, Sport TV1)
Itália - Arménia (19h45, Sport TV2)
Rep. Irlanda - Dinamarca (19h45, Sport TV3)

Elite League sub-20:
Portugal - Alemanha (18h30, 11)

Particular:
Argentina - Uruguai (19h15, Sport TV5)

Terça-feira, 19

Qualificação Euro2021 sub-21:
Noruega - Portugal (17h30, 11)

Qualificação Euro2020:
Alemanha - Irlanda do Norte (19h45, Sport TV1)
Holanda - Estónia (19h45, Sport TV2)
Bélgica - Chipre (19h45, Sport TV3)
País de Gales - Hungria (19h45, Sport TV5)

Particular:
Brasil - Coreia do Sul (13h30, Sport TV1)

Qualificação Euro2021 sub-17:
Ucrânia - Portugal (15h, 11)

Quinta-feira, 21

Liga dos Campeões de futsal:
Sporting - Novo Vrijeme Makarska (12h, 11)

Sexta-feira, 22

Taça de Portugal - 4.ª eliminatória:
Leixões - Santa Clara (17h15, 11)
Varzim - Loures (20h45, 11)

La Liga:
Levante - Maiorca (20h, ElevenSports1)

Bundesliga:
Borussia Dortmund - Paderborn (19h30, ElevenSports2)

Ligue 1:
Paris Saint-Germain - Lille (19h45, ElevenSports)

Liga dos Campeões de futsal:
Sporting - Ayat (12h, 11)

Mundial futebol de praia:
Portugal - Nigéria (20h50, RTP2)

Judo - Grand Slam de Osaka (8h, Sport TV5)

Sábado, 23

Final da Taça dos Libertadores:
River Plate - Flamengo (20h, Sport TV1)

Taça de Portugal - 4.ª eliminatória:
Vizela - Benfica (20h45, RTP1)
Sp. Braga - Gil Vicente (18h30, Sport TV2)
Famalicão - Académica (16h45, 11)
Sertanense - Farense (14h, 11)

Premier League:
West Ham - Tottenham (12h30, Sport TV2)
Crystal Palace - Liverpool (15h, Sport TV2)
Man. City - Chelsea (17h30, Sport TV1)

La Liga:
Leganés - Barcelona (12h, ElevenSports1)
Bétis - Valência (15h, ElevenSports1)
Granada - Atl. Madrid (17h30, ElevenSports1)
Real Madrid - Real Sociedad (20h, ElevenSports1)

Serie A:
Atalanta - Juventus (14h, Sport TV1)
Milan - Nápoles (17h, Sport TV3)
Torino - Inter (19h45, Sport TV3)

Ligue 1:
Lyon - Nice (16h30, ElevenSports)

Bundesliga:
Fortuna Dusseldorf - B. Munique (14h30, ElevenSports2)
RB Leipzig - Colónia (17h30, ElevenSports)

Judo - Grand Slam de Osaka (8h, Sport TV2)

Euro2020 - sorteio playoff (11h, Sport TV+)

Domingo, 24

Taça de Portugal - 4.ª eliminatória:
FC Porto - V. Setúbal (17h30, RTP1)
Rio Ave - Alverca (15h30, 11)
Chaves - Belenenses SAD (20h, Sport TV1)

Premier League:
Sheffield United - Man. United (16h30, Sport TV2)

La Liga:
Espanyol - Getafe (11h, ElevenSports1)
Osasuna - Athletic Bilbao (13h, ElevenSports1)
Eibar - Alavés (15h, ElevenSports1)
Villarreal - Celta (17h30, ElevenSports1)
Valladolid - Sevilha (20h, ElevenSports1)

Serie A:
Bolonha - Parma (11h30, Sport TV2)
Roma - Brescia (14h, Sport TV2)
Sassuolo - Lazio (14h, Sport TV3)
Sampdoria - Udinese (17h, Sport TV3)
Lecce - Cagliari (19h45, Sport TV3)

Ligue 1:
Bordéus - Mónaco (14h, ElevenSports)
Toulouse - Marselha (20h, ElevenSports2)

Judo - Grand Slam de Osaka (8h, Sport TV3)

Ténis - Final da Taça Davis (15h, Sport TV4)

Hoje deu-nos para isto

O ano era 1981, o Flamengo tinha na equipa gente do calibre de Zico, Leandro ou Adílio e em pouco mais de um mês tornou-se mito. Venceu três títulos nesse período (Libertadores, Carioca e Intercontinental), um mês em que houve um pouco de tudo: glória, talento, alegria, mas também tragédia e alguns problemas de expressão. Quase quarenta anos depois, Jorge Jesus pode levar o clube brasileiro a uma caminhada tão ou mais espectacular. No sábado, joga a final da Libertadores, em Lima, frente ao River Plate, e a vitória vale uma ida ao Mundial de Clubes. Pelo meio, está apenas a dois pontos de conquistar o Brasileirão. Mas enquanto não chegamos lá, nada como recordar esse mês e tal em 1981, quando o Flamengo foi o maior do Mundo. A reportagem é da Globo, apresentada pelo ator Thiago Lacerda envergando uns também eles gloriosos chanatos

Três títulos em pouco mais de um mês, Zico, Leandro, Adílio e Thiago Lacerda de chinelos

Em 1981, o Flamengo teve a sua melhor época de sempre, levantando a Libertadores, o campeonato carioca e a Taça Intercontinental em poucos dias