As notícias do fim de Cristiano Ronaldo eram manifestamente exageradas
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18.11.2019
Ronaldo e todos aqueles que o ajudam a ser Ronaldo. Estamos no Euro2020 e o capitão está mais que vivo
Soccrates Images/Getty
Há um par de dias, numa terra oriental com nome de bife caro ou de futuro hall of famer da NBA, um avançado espanhol de 37 anos anunciava o fim de carreira. David Villa, Villa Maravilla, o asturiano de mosca no queixo, vai deixar os relvados - e tudo foi feito numa conferência de imprensa sem estardalhaço ou grande comoção internacional.
Talvez muitos de nós já nem sequer se lembrassem que Villa continuava a jogar, apesar de ele ter sido um dos avançados-fetiche do final da última década e início desta. Eu pelo menos gostava muito dele, da forma como ia buscar jogo, da sua mobilidade, dos remates mais ou menos impossíveis que invariavelmente encontravam as redes da baliza adversária. Gostava também que fosse um elemento assim para o neutro naquela coisa absolutamente chata e entediante (e a partir de certo ponto só maçante) que foi a guerra entre Barcelona e Real Madrid na seleção espanhola, apesar dele próprio ter jogado nos catalães. E, convém não esquecer, Villa ganhou quase tudo: Europeu e Mundial pela seleção, Champions e ligas em Espanha, uma das quais naquela época 2013/14, em que o Atlético Madrid faz uma ultrapassagem pela direita enquanto todos nós andávamos a discutir e a terminar com amizades por causa de Messi/Ronaldo ou Barcelona/Real Madrid.
Posto isto, porque é que a despedida de Villa não nos deteve mais que uns protocolares 10 minutos?
Porque em 2014 o espanhol optou por ir jogar para destinos mais exóticos, Austrália, Estados Unidos e por fim o Japão, onde continuou a marcar em barda, mas sem a nossa atenção porque, enfim, Austrália, Estados Unidos e Japão. As pernas já não dão o mesmo, talvez a cabeça também não e a pressão nesses futebóis é outra coisa, nessas latitudes não é uma questão de vida ou de morte, como tantas vezes é por cá.
Esta longa introdução serve apenas para fazer um paralelo: aposto aqui dinheirinho que no dia em que Cristiano Ronaldo se retirar não será numa anónima sala em Kobe, Japão. No dia em que Cristiano Ronaldo se retirar, os jornais vão abrir com a notícia, haverá lágrimas, gente falará do pré e pós Ronaldo, do que será agora que não há Ronaldo, o que fará Ronaldo agora que não terá de treinar todos os dias ou jogar a cada fim de semana. Será que vai engordar como tantos ex-futebolistas? Ou será que vai continuar a fazer aqueles banhos malucos a temperaturas negativas que, pelos vistos, previnem uma série de maleitas nos nossos músculos?
Essas perguntas, diga-se, pouco interessam. O que interessa para o paralelo é o seguinte: quando Cristiano Ronaldo não se sentir capaz de mais, vai retirar-se nos seus próprios termos, provavelmente ainda a jogar ao mais alto nível, numa equipa de topo, como capitão da Seleção Nacional.
Porque esta última semana mostrou-nos, uma vez mais, que as notícias do fim de Cristiano Ronaldo são sempre manifestamente exageradas.
É certo que Portugal tinha mais do que obrigação que ganhar à Lituânia e ao Luxemburgo para garantir desde já um lugar no Euro2020. É certo que o deveria fazer até com algum conforto. Mas nestas alturas, a pressão é grande, esteja o adversário no top 10 da FIFA ou nas catacumbas do ranking, na companhia de colossos como o Sudão ou Ruanda, que é o que se passa com o futebol da Lituânia por estes dias. E frente à Lituânia, Ronaldo marcou três vezes, dias depois de ser substituído pela segunda vez consecutiva por Maurizio Sarri na Juventus, factóide que deu origem a toda uma verve de especulação sobre o que afinal se passa com Ronaldo?
O capitão da Seleção diria, já depois do apuramento conquistado, que de facto não estava a 100%. E talvez isso se tenha notado mais na terra mal lavrada do Josy Barthel, na capital do Luxemburgo, num relvado que daria todo um episódio para o eng. Sousa Veloso - e onde não jogámos nada bem, convém não esconder, mas às vezes também é assim que se chega à felicidade.
Mas, mesmo assim, Cristiano marcou, um dos golos mais fáceis da sua carreira, com certeza (e já são 99 na Seleção), mas o que é que isso interessa quando é o golo que nos libertou a respiração, que nos fez suspirar de alívio, que nos leva mais uma vez a uma grande competição, onde sempre estivemos desde 2000?
Um dia não teremos Ronaldo. Mas ele é que vai ditar o seu fim. A nós resta-nos confiar nele e nos Bernardos, nos Brunos Fernandes e nos Pizzis, esses que, seja em sintéticos em Vilnius ou em batatais no Luxemburgo, também fazem dele uma espécie de andróide, um atleta com update.
O que se passou
Mesmo com boa parte dos titulares a descansar (porque sábado há final da Libertadores, mas já lá vamos), o Flamengo de Jorge Jesus bateu o Grémio por 1-0 e está agora a apenas dois pontos do título brasileiro, até porque o Palmeiras empatou. No final, houve direito até a uma conferência de Jesus onde se falou de mágoas e Camões.
Em Londres, Stefanos Tsitsipas, atual campeão do Estoril Open, bateu Dominic Thiem nas ATP Finals, ele que há um ano havia sido campeão do Masters da NextGen. Vem aí finalmente uma nova era no ténis?
Na Fórmula 1, o GP Brasil deu-nos uma das corridas mais acidentadas (e emocionantes) do ano. Os dois Ferrari bateram (um contra o outro, note-se), Lewis Hamilton tirou a Alexander Albon o seu primeiro pódio e acabou penalizado e, consequência, Pierre Gasly e o espanhol Carlos Sainz conseguiram os primeiros pódios da carreira. Tudo isto numa corrida em que o quase sempre impulsivo Max Verstappen foi o mais ajuizado, o que melhor arriscou e o que deu mais espectáculo. Numa altura em que se fala da ida do GP Brasil para o Rio de Janeiro, um pedido: Interlagos, nunca mudes!
No judo, o Sporting venceu pela segunda vez consecutiva a Liga dos Campeões, na competição masculina.
E não no que se passou, mas sim no que se está a passar, arrancou esta segunda-feira o julgamento dos 44 arguidos do caso do ataque de Alcochete. O de maior perfil, sabemos todos, chama-se Bruno de Carvalho. Acompanhe tudo na Tribuna Expresso.
Bater em mortos é um dever
O que ficou deste jogo com o Luxemburgo: Portugal não evoluiu nada
Ronaldo tirou um golo ao Diogo Jota e só não conseguiu fazer mais porque a equipa não lhe passou mais a bola. Eh eh eh (Lá Em Casa Mando Eu)
Portugal precisava mesmo de ganhar. E Diogo Faro precisava mesmo de tomar banho (o Luxemburgo - Portugal visto entre monges no Myanmar)
“No Luxemburgo, trabalho oito horas e depois vou treinar de cabeça cheia. E o que um jogador quer nessa altura é dar cuecas e cabritos”
“O prof. Alexandrino, o firme e hirto do Herman SIC, pôs as mãos nos nossos pés descalços e disse: ‘vou dar-vos técnica’. Só rir”
Jankauskas: “O Benfica é uma religião, sim, para os benfiquistas. Era, é e será assim. Há crianças que nascem com a camisola do Benfica”
Zona Mista
"Para abrir o jornal nacional: o capitão está bem. Aliás, não está bem, está muito bem"
Desculpem lá voltar ao mesmo assunto, mas é difícil não escolher este anúncio às tropas de Cristiano Ronaldo ainda antes do jogo com a Lituânia como a frase de semana. Porque, lá está, uma pessoa duvida, há clamor internacional sobre o estado físico do português e ele, mesmo que não a 100%, responde com quatro golos em dois jogos. Para abrir o jornal nacional: Cristiano continua a ser Cristiano
O que aí vem
Segunda-feira, 18
Qualificação Euro2020:
Espanha - Roménia (119h45, Sport TV1)
Itália - Arménia (19h45, Sport TV2)
Rep. Irlanda - Dinamarca (19h45, Sport TV3)
Elite League sub-20:
Portugal - Alemanha (18h30, 11)
Particular:
Argentina - Uruguai (19h15, Sport TV5)
Terça-feira, 19
Qualificação Euro2021 sub-21:
Noruega - Portugal (17h30, 11)
Qualificação Euro2020:
Alemanha - Irlanda do Norte (19h45, Sport TV1)
Holanda - Estónia (19h45, Sport TV2)
Bélgica - Chipre (19h45, Sport TV3)
País de Gales - Hungria (19h45, Sport TV5)
Particular:
Brasil - Coreia do Sul (13h30, Sport TV1)
Qualificação Euro2021 sub-17:
Ucrânia - Portugal (15h, 11)
Quinta-feira, 21
Liga dos Campeões de futsal:
Sporting - Novo Vrijeme Makarska (12h, 11)
Sexta-feira, 22
Taça de Portugal - 4.ª eliminatória:
Leixões - Santa Clara (17h15, 11)
Varzim - Loures (20h45, 11)
La Liga:
Levante - Maiorca (20h, ElevenSports1)
Bundesliga:
Borussia Dortmund - Paderborn (19h30, ElevenSports2)
Ligue 1:
Paris Saint-Germain - Lille (19h45, ElevenSports)
Liga dos Campeões de futsal:
Sporting - Ayat (12h, 11)
Mundial futebol de praia:
Portugal - Nigéria (20h50, RTP2)
Judo - Grand Slam de Osaka (8h, Sport TV5)
Sábado, 23
Final da Taça dos Libertadores:
River Plate - Flamengo (20h, Sport TV1)
Taça de Portugal - 4.ª eliminatória:
Vizela - Benfica (20h45, RTP1)
Sp. Braga - Gil Vicente (18h30, Sport TV2)
Famalicão - Académica (16h45, 11)
Sertanense - Farense (14h, 11)
Premier League:
West Ham - Tottenham (12h30, Sport TV2)
Crystal Palace - Liverpool (15h, Sport TV2)
Man. City - Chelsea (17h30, Sport TV1)
La Liga:
Leganés - Barcelona (12h, ElevenSports1)
Bétis - Valência (15h, ElevenSports1)
Granada - Atl. Madrid (17h30, ElevenSports1)
Real Madrid - Real Sociedad (20h, ElevenSports1)
Serie A:
Atalanta - Juventus (14h, Sport TV1)
Milan - Nápoles (17h, Sport TV3)
Torino - Inter (19h45, Sport TV3)
Ligue 1:
Lyon - Nice (16h30, ElevenSports)
Bundesliga:
Fortuna Dusseldorf - B. Munique (14h30, ElevenSports2)
RB Leipzig - Colónia (17h30, ElevenSports)
Judo - Grand Slam de Osaka (8h, Sport TV2)
Euro2020 - sorteio playoff (11h, Sport TV+)
Domingo, 24
Taça de Portugal - 4.ª eliminatória:
FC Porto - V. Setúbal (17h30, RTP1)
Rio Ave - Alverca (15h30, 11)
Chaves - Belenenses SAD (20h, Sport TV1)
Premier League:
Sheffield United - Man. United (16h30, Sport TV2)
La Liga:
Espanyol - Getafe (11h, ElevenSports1)
Osasuna - Athletic Bilbao (13h, ElevenSports1)
Eibar - Alavés (15h, ElevenSports1)
Villarreal - Celta (17h30, ElevenSports1)
Valladolid - Sevilha (20h, ElevenSports1)
Serie A:
Bolonha - Parma (11h30, Sport TV2)
Roma - Brescia (14h, Sport TV2)
Sassuolo - Lazio (14h, Sport TV3)
Sampdoria - Udinese (17h, Sport TV3)
Lecce - Cagliari (19h45, Sport TV3)
Ligue 1:
Bordéus - Mónaco (14h, ElevenSports)
Toulouse - Marselha (20h, ElevenSports2)
Judo - Grand Slam de Osaka (8h, Sport TV3)
Ténis - Final da Taça Davis (15h, Sport TV4)
Hoje deu-nos para isto
O ano era 1981, o Flamengo tinha na equipa gente do calibre de Zico, Leandro ou Adílio e em pouco mais de um mês tornou-se mito. Venceu três títulos nesse período (Libertadores, Carioca e Intercontinental), um mês em que houve um pouco de tudo: glória, talento, alegria, mas também tragédia e alguns problemas de expressão. Quase quarenta anos depois, Jorge Jesus pode levar o clube brasileiro a uma caminhada tão ou mais espectacular. No sábado, joga a final da Libertadores, em Lima, frente ao River Plate, e a vitória vale uma ida ao Mundial de Clubes. Pelo meio, está apenas a dois pontos de conquistar o Brasileirão. Mas enquanto não chegamos lá, nada como recordar esse mês e tal em 1981, quando o Flamengo foi o maior do Mundo. A reportagem é da Globo, apresentada pelo ator Thiago Lacerda envergando uns também eles gloriosos chanatos