88 razões para se acreditar em Jesus
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25.11.2019
Jorge Jesus, de microfone em punho, com Gabigol ao lado, algures no alto do Rio de Janeiro, a liderar cânticos
Wagner Meier/Getty
A natureza humana, tramada como é, formata a memória que nem uma caixa de supermercado, onde as últimas impressões gozam de fila prioritária e tudo o que veio antes leva um desconto amnésico. Quando saiu de Portugal, a memória coletiva tinha Jorge Jesus como um grandioso taticista, treinador mestre no treino, cândido e honesto no falatório público, brusco no trato dos jogadores, que muito prometia e ganhava ao início, mas que morria, demasiadas vezes, à beira-mar dos títulos, perdendo finais ou jogos que, no fundo, eram como finalíssimas.
Era o treinador teimosão, que se inflacionava nas conferências de imprensa, por vezes quase disléxico, a enganar-se em números e nomes, que juntou 12 títulos em Portugal, mas ouvia as pessoas a falarem mais do que não conseguiu ganhar - do Kelvin que o ajoelhou na relva e do golo que o derrotou à segunda final seguida da Liga Europa, ambos aos 92 minutos; dos 88 pontos com que o Benfica superou o seu Sporting; dos ochenta y ocho minutos em que se aguentou a ganhar ao Real Madrid.
O Jorge Fernando Pinheiro de Jesus que começou a treinar no Amora, em 1991, ganhou a terceira divisão no ano seguinte, chegou à primeira em 1995, com o Felgueiras, evadiu-se para a Arábia Saudita e, depois, à revelia da opinião do empresário e grande parte dos amigos, foi para o Brasil, terra onde os estrangeiros pouco se aventuram. E, em menos de 24 horas, ganhou o Brasileirão e a Copa dos Libertadores, que conquistou com golos aos 88 e 92 minutos de uma final, portanto, por demais simbólica.
Cada um dos três parágrafos anteriores tem 88 palavras, número tão usado para troçar de Jesus. Ao mesmo tempo, é a quantidade de motivos que ele poderia usar para explicar que um treinador se define não pelo que perde, nem pelo que ganha, mas pela maneira como faz as coisas - e, se essa forma o leva, há uma década, a lutar por títulos e a estar ou quase chegar a finais, alguma coisa estará a fazer bem.
Eu tenho a minha opinião sobre Jorge Jesus, todos temos, mas, olhe-se e valorize-se o que se queira, ganhou 11 das 17 finais que jogou e, com 65 anos, idade em que muitos e bons treinadores são carimbados com o atestado de obsolescência, foi campeão do Brasil e das Américas. Tudo em apenas seis meses.
De repente, o simbolismo é todo seu: reina a crença no treinador cujo apelido é siamês da devoção religiosa do país.
Não querendo ser puxa saco, coisa que muito se tem visto e que ele não precisa, o homem merece. Desde que chegou ao Braga, há 10 anos, que Jorge Jesus ganha troféus em todos os clubes, vence mais de metade dos jogos e tem impacto, quase imediato, em quem treina.
Seja pelo método, os exercícios de treino que inventa, o esmiuçar com que trata os adversários ou a comunicação que tem com os jogadores, é um treinador que deixa a pegada bem vincada, que vence e perde como todos os outros, com defeitos e virtudes, que são percecionadas ao gosto de cada um.
Neste momento, Jorge Jesus é bem capaz de ser o segundo treinador português mais conhecido e falado no mundo onde há portugueses a treinar em todo o lado. Provavelmente, até seria o primeiro, não tivesse José Mourinho ressuscitado, de novo, em Londres.
Antes do ano terminar haverá Mundial de Clubes, no Qatar, onde, quem sabe, terá uma final para jogar com o Liverpool e uma obra, esta sim, com mais contornos milagreiros, para Jesus operar. Há seis meses, muita gente teria, pelo menos, 88 motivos para acreditar que nada disto seria possível, quanto mais exequível.
O que se passou
O Benfica ainda se assustou em Vizela, mas acordou a tempo de sobreviver na Taça de Portugal. O FC Porto livrou-se do Vitória de Setúbal e fez o mesmo. E, em Inglaterra, o retornado José Mourinho já pôs o Tottenham a ganhar.
Em outros fusos horários, Frederico Morais espetou uma bandeira portuguesa nas areias do Havai, ganhou um evento de 10.000 pontos, garantiu (de vez) o regresso ao world tour do surf e lidera o circuito de qualificação.
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"O treinador português tem muita qualidade. Mourinho é o 'King of Europe', mas temos também o 'Rei de África', que é o Manuel José, e, agora, o 'Rei das Américas', com o Jorge Jesus."
Quando corou e estabeleceu reinados, Carlos Carvalhal ainda não sabia que Jesus juntou o Brasileirão à Copa Libertadores, sediando o seu trono das Américas bem no centro do Brasil e dando mais razão às palavras (mesmo que devidamente exageradas pelas analogias) do treinador do Rio Ave. Porque José Mourinho tem duas Ligas dos Campeões e já foi o melhor em Inglaterra, Espanha e Itália, enquanto Manuel José juntou quatro Ligas dos Campeões Africanas com o Al-Ahly, fora seis ligas egípcias. Só reis conquistadores, portanto.
O que aí vem
Segunda-feira, 25
Futebol
Série A
SPAL - Génova (19h45, Sport TV3)
Premier League
Aston Villa - Newcastle (20h, Sport TV1)
Surf
Arranca o Vans World Cup of Surfing, na praia de Sunset, no Havai, último evento do Qualification Series (QS), circuito de qualificação, onde participa Frederico Morais. O português já garantiu a presença no Championship Tour (CT), a principal divisão do surf mundial.
Terça-feira, 26
Futebol
Liga dos Campeões
Lokomotiv Moscovo - Bayer Leverkusen (17h55, E1)
Galatasaray - Club Brugge (17h55, E2)
Juventus - Atlético Madrid (20h, E1)
Estrela Vermelha - Bayern Munique (20h, E5)
Tottenham - Olympiakos (20h, E4)
Manchester City - Shakthar Donetsk (20h, E3)
Atalanta - Dínamo Zagreb (20h, E6)
Real Madrid - PSG (20h, E2)
Quarta-feira, 27
Futebol
Liga dos Campeões
Valência - Chelsea (17h55, E3)
Zenit - Lyon (17h55, E2)
RB Leipzig - BENFICA (20h, TVI)
Genk - Red Bull Salzburgo (20h, E6)
Slavia Praga - Inter de Milão (20h, E5)
Lille - Ajax (20h, E4)
Liverpool - Nápoles (20h, E3)
Barcelona - Borussia Dortmund (20h, E2)
Quinta-feira, 28
Futebol
Liga Europa
Trabzonspor - Getafe (15h50, Sport TV3)
Krasnodar - Basileia (15h50, Sport TV2)
Astana - Manchester United (15h50, Sport TV1)
BRAGA - Wolverhampton (17h55, Sport TV2)
Young Boys - FC PORTO (17h55, Sport TV1)
Basaksehir - AS Roma (17h55, Sport TV3)
Feyenoord - Rangers (15h55, Sport TV4)
V. GUIMARÃES - Standard Liège (20h, Sport TV2)
SPORTING - PSV (20h, SIC)
Arsenal - Eintracht Frankfurt (20h, Sport TV3)
Rosenborg - LASK Linz (20h, Sport TV4)
Sexta-feira, 29
Futebol
Ligue 1
Marselha - Brest (19h45, E1)
Liga NOS
Santa Clara - Boavista (20h30, Sport TV1)
Sábado, 30
Râguebi
Barbarians - Gales (14h45)
Futebol
La Liga
Alavés - Real Madrid (12h, E1)
Valência - Villarreal (20h, E1)
Premier League
Newcastle - Manchester City (12h30, Sport TV2)
Tottenham - Bournemouth (15h, Sport TV2)
Chelsea - West Ham (15h, Sport TV, diferido)
Liverpool - Brighton (15h, Sport TV, diferido)
Bundesliga
Paderbonr - Schalke 04 (14h30, E4)
Hertha Berlim - Borussia Dormund (14h30, E1)
Liga NOS
Moreirense - Desportivo das Aves (15h, Sport TV1)
Benfica - Marítimo (18h, BTV)
Portimonense - Famalicão (20h30, Sport TV1)
Domingo, 1
Fórmula 1
Grande Prémio de Abu Dhabi, a última corrida do mundial (Eleven Sports).
Futebol
Série A
Juventus - Sassuolo (11h, Sport TV3)
Nápoles - Bolonha (17h, Sport TV5)
Hellas Verona - AS Roma (19h45, Sport TV2)
La Liga
Atlético Madrid - Barcelona (20h, E1)
Premier League
Norwich - Arsenal (14h, Sport TV2)
Wolverhampton - Sheffield United (14h, Sport TV, diferido)
Leicester City - Everton (16h30, Sport TV3)
Liga NOS
V. Setúbal - V. Guimarães (17h30, Sport TV2)
Gil Vicente - Sporting (20h, Sport TV1)
Hoje deu-nos para isto
Quando a memória humana enferruja, é compensada, em muito, pelo arquivo de recordações televisionadas. Como Jorge Jesus já cá anda há tempo valente - começou a treinar em 1991, no Amora -, ficou devidamente gravado o que disse quando conseguiu a primeira de centenas de vitórias em jogos da primeira divisão.
Era agosto de 1995, estava no Felgueiras, o cabelo era cortado com mais vigor, tinha menos branco a cobri-lo e a voz ainda não se castigara tanto pela rouquidão. Jesus vestiu uma camisa sem gola, compôs-se com um casaco e compareceu no programa "O Dia Seguinte", da RTP, com a sua candidez habitual. Era o primeiro ano de JJ na primeira divisão em Portugal.
A Tribuna Expresso deseja-lhe uma boa semana, cheia de vitórias, sejam elas quais forem, e, de preferência, na nossa companhia: estamos no Facebook, Twitter e Instagram.