Em vida, Paulo, em vida
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13.01.2020
Paulo Gonçalves tinha 40 anos. O piloto português morreu no domingo, no Rali Dakar, e deixou o exemplo do que é ser desportista e competir
FRANCK FIFE
Temam-na, abracem-na, anseiem-na ou venerem-na, a morte é a condição mais certa para os humanos, creio a mais humana que há, porque nada em nós é tão paradoxal como o momento em que o coração pára, o sangue trava, os órgãos desligam, o cérebro frena e à consciência acontece o que vivalma sabe, mas tanta, tantíssima gente, se esforça por adivinhar, pregar, filosofar e garantir.
A morte é o tema dos vivos, quem morre é sentido por quem vive, os que se vão são louvados pelos que ficam e a pessoa que vai sem retorno não lê, nem ouve, os louvores que os vivos reservam aos enlutados, uma vez mortos, que me parece a mais estapafúrdia espera a que os humanos se devotam, já escrevia a mexicana Ana María Rabatté:
No esperes a que se muera
la gente para quererla
y hacerle sentir tu afecto
en vida, hermano, en vida…
Nunca visites panteones,
ni llenes tumbas de flores,
llena de amor corazones,
en vida, hermano, en vida…
Esperámos que Paulo Gonçalves caísse da moto, o corpo tombasse na areia, o coração parasse e morresse no deserto, sozinho, entre grãos de areia onde, dependesse dele, jamais deixaria alguém a solo, para recordarmos o quão exemplar foi em vida.
No Dakar, o português afundou-se em lama para ajudar quem mais fundo estava, safar Cyril Després e vê-lo a virar-lhe as costas, sem retribuir a ajuda e arrancar sem dó, piedade ou companheirismo, qualidades que se dizem humanas e que Paulo voltou a mostrar, anos depois, quando parou mal viu Matthias Walkner tombado, a sofrer com ossos partidos, não o abandonando enquanto não chegasse ajuda.
De Paulo Gonçalves conheci o que deixou na televisão, nos jornais e em quatro ou cinco telefonemas de trabalho. Era simpático, prestável e atencioso, não há pilotos, mecânicos, dirigentes e amigos que o desdigam, em público, desde domingo, invocando a forma como agiu durante os 40 anos que viveu, porque as palavras de nada valem se os atos não falarem por elas.
Se, na morte, o que se recorda de um desportista é o homem justo, companheiro, íntegro, prestável, humilde, sempre ajudante e, apenas depois, o que ganhou a pilotar motos, então no piloto está o melhor exemplo possível para se ser, e estar, no desporto e em competição. “Não sou um herói, sou um ser humano com respeito pelos outros”, disse, uma vez, enquanto modalidades mais praticadas, muito mais vistas, nunca paravam de sugerir que para ganhar vale tudo, que só se estamos bem se estivermos contra os outros e que os insultos fazem parte.
Em vida, Paulo Gonçalves foi um exemplo de como o desporto e a competição apenas valem se, lá dentro, todos estiveram bem, sãos, saudáveis e forem uns para os outros quando houver quem assim não esteja. Competir, ganhar e perder deveria sempre vir depois, muito depois.
O que se passou
A Supertaça de Espanha mais árabe que podia haver é do Real Madrid, campeão do troféu sem vencer um título na época anterior, ganhador ao Atlético nos penáltis a que a final chegou porque, aos 115' do prolongamento, um defesa ceifou à descarada um avançado que seguia isolado, fez o que se pune para não ser feito, levou um cartão vermelho direto e foi aplaudido. A Roma de Paulo Fonseca errou até mais não perante a Juventus, que ganhou com Ronaldo a marcar.
Dentro de pavilhões, um em Matosinhos viu o Benfica conquistou a Supertaça de futsal contra o Sporting, outro em Trondheim acolheu a segunda inesperada vitória de Portugal - contra a Noruega - no Europeu de andebol, que qualificou a seleção nacional para a fase seguinte da prova, apenas pela segunda vez (a primeira, em 2003) na história.
Talvez Félix precise de uma mudança de ares, longe da atmosfera belicosa do Atlético adversa à sua delicada constituição de bailarino
“Uma mulher ligou por engano ao Queiroz às duas da manhã: ‘Deixaste isto aqui’. O Queiroz foi ao quarto e viu vodka e mulheres”
“Não consigo ver um programa de desporto em Portugal. Ninguém respeita ninguém, os clubes são representados de forma estúpida”
O apelo de Diogo Faro: Bruno, o United está para descer de divisão. Sei que o Sporting não está muito longe disso mas lá ficará se tu saíres
Um Azar do Kralj viu Weigl a passar pelos Foros de Amora, admirar a baía do Seixal, perder-se no caminho e ir parar à Cruz de Pau
Supervisor atrasa planos e vontade do Benfica na OPA
Já perdoei muita coisa a Marega, só Nosso Senhor Jorge Nuno sabe quanto. Mas atirar assim o Nakajima ao chão... enfim (Lá Em Casa Mando Eu)
Zona Mista
Quando vim para cá o nosso fisioterapeuta trazia muitas malas e eu perguntei-lhe para que era aquilo tudo. E ele disse-me: ‘professor, levo tape que dá até ao dia 25’. E é nisso que temos de pensar todos. Se estou a pensar na final? Porque não? Podemos estar a ser loucos ou demasiado ambiciosos, mas temos de pensar assim.
Paulo Pereira, seleccionador nacional, a esburacar o teto das possibilidades que há a pairar sobre Portugal no Campeonato da Europa de Andebol, onde se qualificou para a segunda fase da prova, apenas pela segunda vez na história.
O que vem aí
Segunda-feira, 13
Série A
Parma-Lecce (19h45, Sport TV1)
Europeu de Andebol
Montenegro-Bielorrússia (17h15)
Letónia-Alemanha (17h15)
Islândia-Rússia (17h15)
Holanda-Espanha (19h30)
Dinamarca-Hungria (19h30, Sport TV2)
Sérvia-Croácia (19h30)
Terça-feira, 14
Europeu de Andebol
Bósnia e Herzegovina-França (17h15, Sport TV2)
Áustria-Macedónia (17h15)
Suíça-Eslovénia (17h15)
PORTUGAL-Noruega (19h30)
Ucrânia-República Checa (19h30)
Polónia-Suécia (19h30)
Taça de Portugal
FC Porto-Varzim (18h, RTP1)
Benfica-Rio Ave (21h15, RTP1)
Taça de Itália
Nápoles-Perugia (14h, Sport TV1)
Lazio-Cremonese (17h, Sport TV3)
Inter-Cagliari (19h45, Sport TV4)
Taça de Inglaterra
Tottenham-Middlesborough (20h05, Sport TV3)
Quarta-feira, 15
Europeu de Andebol
Islândia-Hungria (17h15, Sport TV1)
Rússia-Dinamarca (19h30)
Taça de Portugal
Paços de Ferreira-Famalicão (20h, Sport TV1)
Taça de Itália
Atalanta-Fiorentina (14h, Sport TV1)
AC Milan-SPAL (17h, Sport TV1)
Juventus-Udinese (19h45, Sport TV4)
Taça de Inglaterra
Manchester United-Wolverhampton (19h45, Sport TV3)
Quinta-feira, 16
Europeu de Andebol
Começa a segunda fase de grupos, que determinará quem segue para as meias-finais.
Taça de Portugal
Académico do Viseu-Canelas 2010 (20h, Sport TV1)
Taça de Itália
AS Roma-Parma (20h15, Sport TV3)
Sexta-feira, 17
Europeu de Andebol
Portugal, já qualificado, jogará neste dia, dependendo o adversário da posição final da seleção nacional no Grupo D.
Liga NOS
FC Porto-Braga (19h, Sport TV2)
Sporting-Benfica (21h15, Sport TV1)
Sábado, 18
Liga NOS
Desportivo das Aves-Portimonense (15h30, Sport TV4)
Vitória de Guimarães-Santa Clara (15h30, Sport TV1)
Tondela-Moreirense (18h, Sport TV1)
Belenenses SAD-V. Setúbal (20h30, Sport TV1)
La Liga
Levante-Alavés (12h, E1)
Osasuna-Valladolid (17h30, E1)
Eibar-Atlético de Madrid (20h, E1)
Premier League
Manchester City-Crystal Palace (15h, Sport TV2)
Newcastle-Chelsea (17h30, Sport TV2)
Bundesliga
Augsburg-Borussia Dortmund (14h30, E2)
RB Leipzig-Union Berlin (17h30, E2)
Série A
Lazio-Sampdoria (14h, Sport TV3)
Sassuolo-Torino (17h, Sport TV3)
Nápoles-Fiorentina (19h45, Sport TV2)
Domingo, 19
Liga NOS
Paços de Ferreira-Gil Vicente (15h, Sport TV1)
Famalicão-Marítimo (17h30, Sport TV1)
La Liga
Mallorca-Valência (11h, E1)
Real Bétis-Real Sociedad (13h, E1)
Villarreal-Espanyol (15h, E1)
Athletic Bilbao-Celta de Vigo (17h30, E1)
Barcelona-Granada (20h, E1)
Premier League
Burnley-Leicester City (14h, Sport TV2)
Liverpool-Manchester United (16h30, Sport TV2)
Bundesliga
Hertha Berlim-Bayern de Munique (14h30, E2)
Série A
AC Milan-Udinese (11h30, Sport TV2)
Lecce-Inter (14h, Sport TV2)
Génova-AS Roma (17h, Sport TV3)
Juventus-Parma (19h45, Sport TV2)
Hoje deu-nos para isto
O senhor Dakar, Stéphane Peterhansel, vencedor de 13 edições do rali
FRANCK FIFE/Getty
Seja de mãos apertadas em cada lado do guiador, ou ambas a espremerem um volante, poucas almas, se alguma, deve ter mais bagagem de Dakar do que Stéphane Peterhansel. O francês está a correr no seu 30.º rali, já o venceu por 13 vezes, entre carros e motos, deve a ninguém a sapiência de horas vividas entre desertos e motores e dele, após a tragédia de domingo, saiu um pêsame de sentido intocável - "Será que vale a pena estarmos a competir?".
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