Querer ser melhor por (causa de) alguém
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27.01.2020
O pavilhão "House of Kobe", inaugurado depois da visita de Kobe Bryant às Filipinas, em 2016
MARIA TAN
É inexplicável, isto. Não a morte, que todos conhecemos e sentimos como integrante inexorável da nossa condição humana, mas a comoção provocada pelo súbito desaparecimento de alguém que nunca conhecemos.
Vimo-lo, claro, ao longe, até ao último dia em que abrilhantou os Lakers, mas nunca o vimos de perto, nunca lhe falámos, nunca lhe tocámos. Ainda assim, sentimo-lo desaparecer como se fosse um nosso familiar, quiçá com incredulidade superior, disfarçada de desconfiança, pela era de fake news em que habitamos.
Mesmo quem não seguia atentamente a NBA e não lhe conhece os recordes (33643 pontos, 1346 jogos, cinco campeonatos, duas vezes MVP das finais, duas medalhas de ouro olímpicas, etc, etc, etc), sabe quem ele era, porque é assim que sobrevive na história quem é mais do que um simples competidor: inspirando os outros.
No documentário “Muse”, que lhe relata a carreira enquanto acompanha a longa recuperação da lesão no tendão de Aquiles que quase lhe acabou com a carreira, ele fala sobre alguém que admirava quando era criança: "A maior parte das pessoas nem sabe quem é o John Battle, dos Atlanta Hawks, mas eu sabia. Porque via-o a agarrar um ressalto, a ir de tabela a tabela com a mão esquerda, apesar de ser destro, e pensava: 'Whoa, eu preciso de fazer isso.' Eu queria fazer o que aqueles tipos faziam na televisão. Era uma coisa mítica".
Nas últimas décadas, todos nós quisemos ser, em algum momento da vida, Kobe Bryant: a encestar, a marcar um golo, a escrever um texto, a fechar um negócio. A "Mamba mentality" inspirou milhões, pequenos e graúdos, e fez de outros o que são hoje.
Como LeBron James, que, precisamente ontem, ultrapassou Kobe como terceiro melhor marcador da história: “No liceu, eu usava o cabelo num penteado afro só porque o Kobe o usava. Queria ser exatamente como ele, meu. Era alguém que eu achava que também podia ser. E queria ser melhor por causa dele”.
Querer ser melhor por (causa de) alguém. É isto o desporto. E a vida.
RIP Kobe Bryant (1978-2020).
O que se passou
Tudo empalidece ao pé do que aconteceu a Kobe, mas o fim de semana também ficou marcado pela final da Taça da Liga, conquistada pelo Sporting de Braga, e pela reação de Sérgio Conceição à derrota (a análise ao súbito drama portista está AQUI). Já o Benfica venceu o Paços de Ferreira e Silas garantiu que não está agarrado ao lugar no Sporting. No ténis, Roger Federer avançou para os quartos de final do Open da Austrália.
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Sai da frente, Rui Gomes da Silva. Este candidato a presidente corre mais, finta melhor e conclui com mais frieza. Um abraço, Rafael
Devíamos refletir se Mbemba já pode sair a jogar, mas, bem, LOL, ouvi a flash do Sérgio e vou ficar aqui quietinha (Lá em Casa Mando Eu)
Zona mista
“Temos de olhar para dentro e com isto estou a dizer que é preciso haver responsabilidade coletiva. A começar por mim, e não falo só do grupo de trabalho, mas de toda a gente dentro do clube. É difícil trabalhar em determinadas condições. No primeiro ano, muito difícil, não houve reforços nem havia dinheiro. No segundo ano, com a falta de verdade desportiva que houve... E, este ano, sem união, fica difícil. O meu lugar está à disposição do presidente”.
- Sérgio Conceição, treinador do FC Porto, abanou o universo portista depois de perder a Taça da Liga para o Sporting de Braga
O que aí vem
Não é propriamente algo que vá ser transmitido por algum canal, mas caso tenha tempo e possibilidade, esta semana sugiro que veja o documentário "Muse". O filme está disponível na Amazon, AQUI.
Segunda-feira, 27
Na "vida normal", prossegue a 18ª jornada da Liga NOS, com o Vitória de Guimarães-Rio Ave, às 18h45, e com o Sporting-Marítimo, às 21h.
Terça-feira, 28
O FC Porto regressa à Liga NOS e está obrigado a vencer o Gil Vicente, depois do descalabro das últimas semanas (20h15).
Quarta-feira, 29
Termina a interminável 18ª jornada da Liga NOS, com o Moreirense-Sporting de Braga (20h15, SportTV1). O West Ham recebe o Liverpool, às 19h45, para a Premier League, mas o jogo grande é o da Taça da Liga inglesa, entre os Manchesters: City-United, 19h45 (SportTV2).
Quinta-feira, 30
Depois da derrota frente ao Valência, o Barcelona volta aos relvados, agora para a Taça do Rei, frente ao Leganés (18h, SportTV3).
Sexta-feira, 31
ALERTA: FECHO DO MERCADO DE TRANSFERÊNCIAS! É o dia em que ficamos todos à espera que algo aconteça, ainda que, na maioria das vezes, não aconteça nada particularmente relevante. Às 19h, há Benfica-Belenenses SAD, e, às 21h15 (excelente hora), Rio Ave-Famalicão.
Sábado, 1
Primeiro, tem de ler a edição semanal do Expresso. Depois, pode ver o Farense-Estoril, equipas que aspiram à subida para a Liga NOS, às 11h15, na SportTV1; e o Sporting-Fofó, para a Taça da Liga feminina, às 11h45, no Canal 11. É um sábado, ao longo do dia, recheado de jogos, por isso aqui vão apenas os destaques: Liverpool-Southampton, 15h, SportTV; Real Madrid-Atlético de Madrid, 15h, Eleven Sports; Manchester United-Wolves, 17h30, SportTV; Braga-Benfica (futebol feminino), 17h30, 11; Vitória de Setúbal-FC Porto, 18h, SportTV.
Domingo, 2
Se ainda não leu a edição semanal do Expresso, aproveite o domingo para ler. Depois, veja a Juventus-Fiorentina, às 11h30, na SportTV2; o Tottenham-Manchester City, às 16h30, na SportTV2); o Braga-Sporting, às 17h30, na SportTV1; e o Barcelona-Levante, às 20h, na Eleven.
Hoje deu-nos para isto
A Tribuna Expresso, versão "Friends"
António Pedro Ferreira
Já lá vão três anos e meio, mais coisa, menos coisa, de Tribuna Expresso, protagonizada essencialmente pelos jornalistas que vê nesta belíssima fotografia de António Pedro Ferreira. Se ainda precisava de uma razão para assinar o Expresso, ei-la. Estamos cá todos os dias - até ao dia. Por isso, viva a vida, pause para ler a Tribuna e siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram: @TribunaExpresso.
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