Varandas: “Não decidi ter esta guerra com as claques”
Na entrevista à TVI, o presidente do Sporting comentou a relação com as claques e os últimos incidentes registados
11.02.2020 às 9h21
JOÃO RELVAS
Partilhar
Frederico Varandas já viu as imagens das agressões aos dois dirigentes do Sporting, antes do jogo do Sporting com o Portimonense. O presidente dos Leões garante que foram "dois elementos da Juve Leo, cujas caras se conseguem identificar". Na entrevista à TVI, Varandas garante que "as imagens vão ser dadas às autoridades e se esses elementos forem sócios serão expulsos".
"Quem é a direção da Juve Leo? Apresentem-se! O presidente está detido. Quem são os outros dirigentes? Apresentem-se aos sócios e ao país. Quem são estes senhores?", apelou Varandas, lamentando também que o golo do Portimonense frente ao Sporting tenha sido celebrado num setor das bancadas: "Temos uma claque que deseja que o Sporting perca."
Apesar do conflito, Frederico Varandas fez questão de separar o trigo do joio. "É injusto meter toda a gente no mesmo saco. O problema é com as direções destas claques. Conheço pessoas que fazem parte de claques e não têm estes comportamentos. No caso da Juve Leo, há senhores que se julgam acima dos estatutos, presidentes e mandatos. Esse tem sido um dos sérios problemas do Sporting. (…) Não decidi ter esta guerra com as claques."
Varandas desabafou que é ele quem luta pela mudança dos vícios e paradigmas, nomeadamente em aspetos como a fuga ao fisco nos clubes ou as relações com as claques: "Eu acabo por ser o ET. Se calhar sou muito mais incómodo que presidentes que fazem isso e são reféns das claques e alimentam-nas. Não estou agarrado ao lugar e isso dá-me força. A minha missão é entregar o clube melhor."
O líder dos Leões não admite sequer a hipótese de terminar o mandato mais cedo. “Fui eleito pela maioria dos sócios. O mandato tem a duração de quatro anos. Vamos levá-lo até ao fim. Vamos entregar o clube muito melhor do que estava. Esse é o nosso objetivo. Sobre o ruído e ameaças físicas, não nos vamos demitir.”
Sobre a necessidade de união dentro do clube, Varandas é perentório: “O Sporting alguma vez foi unido? Não. Existe união com pessoas que fizeram o que fizeram ontem? Ou atiram tochas a atletas? Não. União existe para quem tem opiniões divergentes. Agora união com isto?".
Relacionados
-
"Há uma coisa que nunca vou fazer: é abandonar o Sporting a esta gente"
Frederico Varandas culpou as claques de tentarem mandar no clube depois de alterações ao processo de atribuição de bilhetes anuais.
-
Frederico Varandas teve a coragem de enfrentar arruaceiros e energúmenos. Não pode ficar sozinho nesse combate (por Nicolau Santos)
Nicolau Santos escreve sobre o momento atual do Sporting, que vive num clima de tensão constante
-
Frederico Varandas: "Estes senhores acham que mandam no Sporting, mas nunca mais vão mandar. O clube não é deles, é dos sócios"
O presidente do Sporting pronunciou-se sobre as agressões a Miguel Afonso e os insultos a Filipe Osório de Castro, vice-presidentes do clube, falando numa claque - sem especificar - para garantir que a atual direção "não recua" e que "os privilégios que estes senhores não têm, que nunca mais voltam a ter" durante a sua presidência
-
Sporting confirma agressões a dois membros da direção, mas “não irá ceder”
Em comunicado, clube associa atos a membros da claque Juventude Leonina. Miguel Afonso foi “agredido ao pontapé” e Filipe Osório de Castro “alvo de insultos e tentativa de agressão”