Sobre Amorim, Varandas disse que o “caro podia sair barato”. Talvez tivesse razão: o Sporting ainda não pagou um euro dos €10 milhões
O Sporting falhou duas datas para pagar a primeira de duas tranches da contratação de Rúben Amorim ao Sporting Clube Braga, no início de março. Agora, deve um total de €13,831 milhões ao clube dirigido por Salvador. As contas e as datas para perceber a história seguem abaixo
15.04.2020 às 20h26
ANDRÉ KOSTERS/Lusa
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No dia cinco de março de 2020, vários dias antes do novo coronavírus virar tudo isto do avesso, o Sporting Clube de Portugal confirmava ter contratado ao Sporting Clube de Braga ao treinador Rúben Amorim. O preço era elevado,10 milhões de euros, justificado por uma cláusula de rescisão, mas Frederico Varandas tinha um chavão pronto no discurso para sossegar críticas, em jeito de soundbite: “O que é barato sai caro. E o que é caro, pode sair barato”. E terminou, em tom premonitório, com a certeza de que Rúben Amorim iria “ser demasiado grande” para o futebol português num futuro muito próximo.
Nesse mesmo dia, antes da conferência de imprensa, o clube de Alvalade anunciara o acordo inusitado, garantindo que pagaria ao SC Braga em duas tranches, uma até seis de março de 2020, outra até 5 de setembro do mesmo ano.
Acontece que a seis de março falhou o pagamento de cinco milhões de euros, mais €2,3 milhões de IVA, e falhou também a 30 de março, pois no contrato havia uma moratória, estabelecida entre partes, que dava oportunidade de o fazer, caso se atrasasse.
Contas feitas, até final do mês passado, o Sporting Clube de Portugal devia ao Sporting Clube Braga os mesmos €12,3 milhões de uma operação financeira anunciada a cinco de março. Com juros e mais uma adenda: logo que os lisboetas fossem avisados pelos bracarenses de que estavam em falta, teriam quinze dias extra para saldarem a dívida; caso não pagassem, seriam caucionados com uma multa de 10% sobre tudo.
A Tribuna Expresso sabe que o Braga interpelou o Sporting no dia um de abril e esta quarta-feira, dia 15 e 14 dias depois da participação, os de Alvalade ainda não pagaram por Rúben Amorim, que orientou a equipa no triunfo diante do Desportivo das Aves, três dias depois da apresentação - dois dias depois da data em que supostamente alguém teria depositado cinco milhões, mais IVA, na conta do SC Baga.
Ora, e finalizando contabilidades, a partir de quinta-feira, dia 16, se nada de diferente acontecer - digamos, alguém pagar a conta -, o Sporting fica a dever €13,813 milhões aos Gverreiros do Minho.
Sobre Amorim, Varandas também garantiu que o investimento não era um all-in financeiro. Entretanto, o Sporting pôs 86% dos trabalhadores em lay-off, os ordenados dos jogadores foram cortados em 40% e os da administração em 50%.
À Tribuna Expresso fonte do Sporting confirma o não-pagamento. "Foi um acto de gestão, não de tesouraria. Da mesma forma que outros clubes e devedores suspenderam pagamentos ao Sporting, o Sporting suspendeu os pagamentos por causa da situação de exceção que vivemos. E a situação de emergência nacional e pandemia mundial por causa do Covid19, são circunstâncias obviamente excepcionais".
*Notícia atualizada às 21h00 com a reação do Sporting
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